Por que o contencioso tributário tende a aumentar na transição da reforma tributária?  

Autora: Rafaela Zambrzycki Pauzer

A Lei Complementar nº 214, ao instituir o IBS e CBS no modelo de IVA dual, promete simplificação no sistema tributário brasileiro. Para a indústria, porém, o caminho até esse novo modelo passa por uma transição longa, desafiadora e com alto potencial de aumento do contencioso tributário. 

Durante esse período, as empresas terão de operar em um ambiente de convivência de regimes, aplicando simultaneamente regras do ICMS, ISS, PIS e COFINS, ao lado do IBS e da CBS. Essa sobreposição eleva a complexidade operacional e torna mais difícil assegurar interpretações consistentes sobre incidência, créditos e obrigações. 

O resultado é previsível: insegurança jurídica.  

A ausência de precedentes, aliada a normas novas e ainda em construção, tende a gerar divergências entre contribuintes e fiscos, impulsionando autuações, discussões administrativas e disputas judiciais. 

Assim, embora a reforma prometa um sistema mais simples no futuro, a transição exige atenção estratégica da indústria.  

Quem não se preparar agora pode transformar a prometida simplificação em um novo foco de risco tributário. 

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